Falar deste Verão irritante não é fácil, mas falar das suas cores, das suas modelações coloridas, ainda é mais difícil. No entanto, não as posso ignorar, tenho de falar nelas porque existem.
Este foi sem dúvida um encontro inesperado. Três figuras, de aspecto pouco convencional, baixas, de modos desconcertantes e pouco agressivas, encontram-se. Timidamente, começam a analisar-se. A figura do lado direito observa cuidadosamente os outros dois estranhos, mostrando uma atitude serena e reconciliadora, num diálogo onde todos falam línguas diferentes.
O que eu fiz para aqui chegar! Palmilhei montes e vales, escarpas e falésias, para ter a matéria-prima para esta página. Não o fiz de propósito, não senhor! Aconteceu agora, porque precisava disto; a aventura começou no início da Primavera e acabou há pouco, a meio da estação.
Por onde começar? Não quero falar de todos os trabalhos que faço, também não tenho tempo, só escrevo de trabalhos com história; mesmo que ela seja pouco perceptível, as aventuras estão lá, no fim. O início já está distante, mas percebo-o, pelas informações vivas que o quadro me transmite, pelas coisas que foram acontecendo na sua evolução; são esses acontecimentos pouco nítidos à minha vista que fazem a história, ou melhor, o percurso evolutivo dum trabalho.
A primavera é uma festa. Sente-se no ar uma energia fresca, que revitaliza tudo o que toca; a natureza delicia-se com orgias que lhe são próprias, espalha na terra um perfume selvagem que envolve tudo numa atmosfera alegre, de prazeres adiados. Também eu fui tocado por ela!